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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Os caminhos da literatura infantojuvenil baiana



Os caminhos da literatura infanto-juvenil baiana: em sintonia com o leitor traça a trajetória da literatura para crianças e jovens produzidas por escritores baianos nos últimos quarenta anos, preenchendo uma lacuna causada pela inexistência de estudos na área. Para isso, refaz o caminho histórico da literatura infanto-juvenil desde os primórdios europeus até as produções brasileiras contemporâneas, inserindo nesse contexto as obras baianas.

Este livro orienta o olhar para a qualidade literária das obras estudadas ao analisar a relação que textos e autores estabelecem com o leitor, criança e jovem, tanto no momento da produção – considerando e tematizando o universo infanto-juvenil – como no momento da recepção – proporcionando uma relação interativa entre leitor e texto.

É um livro para pesquisadores, educadores e todos que se interessam pela literatura infanto-juvenil, especialmente para professores e alunos dos cursos de Letras e Pedagogia, para professores do ensino fundamental e promotores de leitura.



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Dois amores



Uma década e meia atrás, quando saí da pacata Várzea da Roça e vim morar em Feira de Santana, um amigo me disse: eu sempre soube que você não tinha recheio varzeano, você é de outros lugares. Na época, jovem interiorana de cidade muito pequena, e com poucas oportunidades, e muito empolgada com as possibilidades que a ‘cidade grande’ me oferecia, concordei. E por alguns anos, acreditei mesmo nisso, me convenci que eu não era dali, apenas lá havia nascido. Detalhe importante é que esse amigo que me disse isso não era varzeano, morava na nossa cidadezinha há apenas alguns anos.

Hoje, 15 anos tendo se passado, descubro-me pensando no tal ‘recheio varzeano’. O que vem mesmo a ser isso, que na opinião do meu amigo eu nunca tivera? Para encontrar a resposta, preciso analisar o meu recheio: de que ele é feito?

Encontro nele um amor enorme por Feira de Santana, cidade pela qual me apaixonei no primeiro dia em que por aqui passei, em 1985, indo para a Ilha de Itaparica, na excursão da 8ª série. Era domingo e atravessamos o centro da cidade de ônibus, a galerinha na maior muvuca e eu em estado de êxtase, alheia a tudo dentro do ônibus, olhos parados na Avenida Getúlio Vargas, presa por não sei quais fios invisíveis àquelas ruas desertas de final de tarde domingueiro. Fui capturada.

Encontro no meu recheio, o retorno a essa cidade do coração, dessa vez para morar, treze anos depois. E a vida que construí aqui, os amigos conquistados e que me conquistaram, colegas de trabalho, o crescimento dos meus filhos, seus estudos e, gradativamente, seus encaminhamentos no mundo do trabalho. Aqui nasceu minha caçula, hoje com cinco anos. Aqui construí minha vida profissional. E estudei, continuo estudando, o que sempre quis fazer.

Mas, olha lá, vejo Várzea da Roça no meu recheio! Sim, minha cidadezinha também me preenche. E não é com uma parcela mínima não. Existe muito de Várzea em mim. Vejo minhas primeiras descobertas, meus primeiros aprendizados, minha família, meu primeiro amor, as primeiras e mais sinceras amizades. Vejo minha infância de menina levada que subia em árvore, tomava banho em lagoas, jogava futebol e ganhava dos meninos no jogo de bolinha de gude. Mas vejo também a aluna disciplinada e estudiosa. Nessa cidadezinha nasci, cresci, me casei, e nasceram meus três primeiros filhos. Nessa cidade iniciei minha vida profissional. Quantas pessoas especiais participaram desse pedaço da minha história? Muitas.

Moro em Feira de Santana e tenho raízes plantadas em Várzea da Roça. Essas duas cidades me habitam, me formam, me ‘recheiam’. Hoje posso responder ao meu amigo com segurança: sim, eu tenho recheio varzeano e tenho orgulho disso. O que talvez faça a diferença, e que pode ter sido confundido com ausência de, é que esse recheio pede outros recheios, outros conhecimentos, outras vivências. Sempre tive a necessidade de buscar outros horizontes, de ampliar minhas fronteiras. 

 Normeide Rios


sábado, 9 de fevereiro de 2013

História de uma princesa



Nasci em berço agreste, na Fazenda Sant’Anna dos Olhos D’Água, no sertão baiano.  Em volta desse meu berço, foram se agrupando viajantes e tropeiros, que vinham do alto sertão, e aqui se alojavam atraídos pelas feiras e pelo comércio de gado.
Com todo esse movimento no meu entorno, cresci e me desenvolvi rapidamente e logo já contava com muitas lojas e casas comerciais. Era a estrada das boiadas anunciando uma nova civilização. Hoje, sou um grande centro comercial e meu comércio de importados, o Feiraguai, é muito famoso.
Trago em mim as marcas da história do Brasil-colônia e recebi a visita ilustre do Imperador D. Pedro II. Tempos depois, tornei-me princesa, a Princesa do Sertão.
Graciosa na forma geográfica plana, ocupo uma posição privilegiada, sendo um dos principais entroncamentos do Nordeste. Sou o Portal do Sertão. Nascida entre olhos d’água, o sol forte e o clima tropical e semi-árido não são páreos para os meus ricos mananciais, como as várias lagoas e rios.
Como jovem princesa, tenho minhas jóias, que são meus pontos turísticos: a Estátua do Vaqueiro; o Museu Casa do Sertão; o moderníssimo Museu Parque do Saber; a Igreja Senhor dos Passos, em estilo neo-gótico; o Observatório Astronômico Antares; o Estádio Jóia da Princesa e muito mais.

Outras riquezas, meus filhos ilustres, entre eles os poetas Godofredo Filho e Eurico Alves, o artista plástico Juraci Dórea, a heroína Maria Quitéria, meu povo acolhedor e caloroso.
Minha população de cerca de seiscentos mil habitantes é miscigenada e oriunda de várias cidades da Bahia e do país, o que me confere um muticulturalismo riquíssimo. A alegria e festividade do meu povo se manifestam na tradicional Micareta, carnaval fora de época que atrai muitos turistas.
Mais jóias: a TV Subaé, a Universidade Estadual de Feira de Santana e o Centro Industrial Subaé.
Sou uma jovem princesa de apenas 179 anos e estou em pleno desenvolvimento.

 Normeide Rios